A ópera Madama Butterfly foi criada pelo italiano Giacomo Puccini, sendo interpretada pela primeira vez no começo do século XX, em Milão. A ópera tem como enredo a tragédia de Butterfly, uma gueixa que se apaixona por um oficial americano, Benjamin Pinkerton. O americano resolve tomar Butterfly como esposa. Leviano, interessado na jovem gueixa apenas para aplacar seu desejo, Pinketon não tem planos de permanecer no Japão por muito tempo. Após três anos de abandono, o oficial volta a dar notícias, quando a terrível tragédia se abate sobre a pobre Cio-Cio-San. A ópera é organizada em três atos e assisti ao espetáculo preparado pela Royal Opera House, exibido em 3D pela UCI, que tem a magnífica Liping Zhang como intérprete de Butterfly. Uma história para chorar até as entranhas de tanta beleza.
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on Japão, Poesia Musical
A ópera Madama Butterfly foi criada pelo italiano Giacomo Puccini, sendo interpretada pela primeira vez no começo do século XX, em Milão. A ópera tem como enredo a tragédia de Butterfly, uma gueixa que se apaixona por um oficial americano, Benjamin Pinkerton. O americano resolve tomar Butterfly como esposa. Leviano, interessado na jovem gueixa apenas para aplacar seu desejo, Pinketon não tem planos de permanecer no Japão por muito tempo. Após três anos de abandono, o oficial volta a dar notícias, quando a terrível tragédia se abate sobre a pobre Cio-Cio-San. A ópera é organizada em três atos e assisti ao espetáculo preparado pela Royal Opera House, exibido em 3D pela UCI, que tem a magnífica Liping Zhang como intérprete de Butterfly. Uma história para chorar até as entranhas de tanta beleza.
Para
descobrir mais: www.madambutterfly3d.com
Ontem assisti
ao filme japonês de Yojiro Takita chamado A
Partida. O enredo é focado na vida de Daigo Kobayashi, um violoncelista
desempregado que precisa voltar para sua cidade de origem para conseguir um
trabalho. Daigo é admitido na pequena empresa de Sasaki, dedicada à preparação
dos mortos para os rituais de cremação. Daigo passa, então, a enfrentar as
dificuldades do seu novo ofício: o asco que sente dos cadáveres, a
incompreensão da esposa, a rejeição de seu grupo de amigos, o trauma motivado pelo
abandono do pai. O filme é muito delicado e revela toda a beleza e o respeito pela
perda que envolve o trabalho de Sasaki-san. Pode parecer bem dramático, mas o
filme é surpreendentemente leve, em especial pela atuação do intérprete de
Daigo, que nos cativa pela inocência do personagem. Uma história para sorrir e
chorar.
on Arquitetura, Japão
Kengo
Kuma nasceu em Yokohama, Japão, no ano de 1954 e é um dos arquitetos mais
cultuados do mundo oriental. Professor na Universidade de Tóquio, Kuma é o
responsável por projetos que adotam a simplicidade e a simetria como
características principais, recriando sua arquitetura a partir do rígido senso
estético japonês. Suas linhas são muito bonitas e contemporâneas.
Uma
sala de banhos para meditar e sonhar.
Quando
a arquitetura é tão bela quanto poética.
As
fotografias são do site oficial do escritório de Kuma, onde é possível
encontrar todo o seu portfólio.
on Japão
on Japão
O Livro de Travesseiro, da
escritora japonesa Sei Shônagon, é uma obra-prima para os que desejam compreender
os costumes do Japão tradicional. Shônagon foi dama da corte imperal e deixou
suas memórias sobre as práticas da corte neste livro, quase um diário, uma
percepção vívida e irônica sobre a vida cotidiana. Sei Shônagon viveu entre 966
e 1025 do calendário cristão. Deixo-os com um trechinho do livro, bom para nos
fazer sonhar.
“Choveu muito no dia seguinte. Transcorreu
o dia e anoiteceu sem que eu recebesse notícias dele. Concluí que havia
afastado por completo seu pensamento de mim. À noite, eu estava sentada na
borda da varanda, quando vi chegar um menino com um guarda-chuva aberto em uma
mão e uma carta na outra. Abri a carta com ansiedade maior que a normal. A
chuva que atormenta o rio, dizia a mensagem, que achei mais encantadora do que
se houvessem dedicado numerosos poemas”.
(SHÔNAGON, Sei. O Livro de Travesseiro, tradução de Andrei dos Santos Cunha, Porto Alegre, Escritos, 2008, pg. 341)
(SHÔNAGON, Sei. O Livro de Travesseiro, tradução de Andrei dos Santos Cunha, Porto Alegre, Escritos, 2008, pg. 341)
on Japão
Todos nós somos constituídos de desejo. Seres desejantes, movidos pela insatisfação. Na filosofia budista, a vida é encarada como sofrimento permanente motivado pela perda, a frustração constante. O caminho da iluminação consiste na progressiva libertação do desejo. Budistas ou não, temos algumas lições a aprender com os monges orientais. Um olhar sobre a impermanência da vida e sobre a necessidade de recolhimento espiritual são duas delas.
Para encontrar um lugar mental de tranquilidade e iluminação, os budistas praticam a técnica meditativa do zazen. É bastante simples e não tem qualquer conteúdo religioso por si só: senta-se sobre uma almofada numa posição confortável, fecha-se os olhos, deixando os pensamentos transcorrerem livremente, a respiração relaxada. Nas primeiras vezes, a posição vai trazer ansiedade e inquietação porque você não vai conseguir se desprender de imediato da vida lá fora, mas não se deve tentar chegar ao silêncio numa tentativa inicial. O objetivo da meditação é se tornar um hábito diário, através do qual se constrói a disciplina e o estado de silêncio em que é possível encontrar a paz. E quem não precisa de paz para pensar com clareza neste mundo de desordem e ruído?
on Japão
A cultura ancestral japonesa é rica de festivais populares, voltados à celebração de elementos como a mudança nas estações do ano, datas comemorativas, personalidades, etc. Um dos festivais que remonta ao século XVII é o Koi-Nobori, que celebra o dia das crianças (originariamente dia dos meninos) no dia 5 de maio. A locução Koi-Nobori pode ser traduzida como “a subida das carpas”. Nessa festa popular, as famílias hasteiam mastros de bambu decorados com birutas de papel ou tecido no formato de carpas, que simbolizam a perseverança, a valentia de nadar contra a corrente, a energia masculina. A representatividade das cores nas birutas é importante, pois devem ser hasteadas tantas carpas quanto sejam os homens da casa: o pai simbolizado pelo preto, seguido pelo filho mais velho, de vermelho, e o mais novo representado pelo verde, com cores intermediárias.
A carpa (Koi) é considerada uma joia viva pela cultura japonesa, pela sua beleza e pela simbologia da superação e da perseverança. A história da carpa que nada contra a corrente, subindo rio acima, e que, ao final da travessia, se transforma em Dragão é um mito popular de força de vontade e caráter que habita o imaginário e as representações populares japoneses. Não é por outro motivo que todo jardim japonês que se preze precisa manter um lago de carpas, preferencialmente com passarelas suspensas onde se possa observá-las.
on Belas Artes, Japão
A pintura do mundo flutuante (Ukiyo-ê), no Japão, compreende um período que vai do século XVII ao XIX. As obras de Hokusai, Hiroshige, Utamaro e Choki representam a natureza, a mudança das estações do ano, personagens femininos e masculinos, o erotismo das cenas mais íntimas, pequenas cenas do cotidiano japonês tradicional. As obras eram impressas em papel por meio de xilogravuras, muitas vezes delicadamente coloridas com pincel. Para nós, que não compartilhamos desse universo cultural, é um deleite sonhar com a neve, a pele empoada das gueixas, o barulho da água que bate, de leve, nos barcos. Já havíamos apresentado uma conhecida obra de Hokusai neste post, mas aproveitamos para renovar nosso amor à cultura japonesa num dia assim feito para ser triste. Um dia de possibilidades não realizadas. Boa quarta pra vocês! Seguem duas obras de Ando Hiroshige.
Visão do Templo nas Montanhas
Os amantes de Kitagawa Utamaro, cuja obra é marcada pela representação do erotismo.
on Belas Artes, Japão
Nobuyuki Taguchi é um fotógrafo nascido em Yokohama, em 1968, e residente em Londres. Tem fotografias fantásticas, com muito movimento, e um site exemplar. Uma boa noite de terça pra vocês, com a tristeza de saber que estaria indo para Roma amanhã, se não fosse o acaso, este maldito. Fiquem com a Veneza de sonho de Taguchi.
on Japão, Literatura Estrangeira
Já que começamos o dia com Ueda, deixo com vocês, como estímulo para a segunda-feira que se aproxima, um trecho do lindo romance A Dançarina de Izu, publicado em 1926, pelo japonês ganhador do Nobel Yasunari Kawabata. O meu escritor japonês favorito, que, em 1968, foi agraciado com o prêmio da academia sueca, dono de uma escrita lírica, quase impressionista, com lindas descrições do Japão tradicional.
No dia seguinte, pela manhã, levaria a velha senhora até a estação de Ueno e lhe compraria um bilhete até Mito. Era uma questão urgente.
Tudo parecia estar em perfeita harmonia. No salão, o lampião se apagou. O mar e o peixe fresco amontoado no navio exalavam um cheiro muito forte.
Em meio à escuridão, enquanto me aquecia com o calor do corpo do estudante a meu lado, meus olhos converteram-se em dois pequenos oceanos cercados por todos os lados pela minha face. Minha mente parecia estar se transformando em fonte de água pura que, como a vida, se derramava gota a gota. Por fim, sobrou o doce sentimento de nada mais estar.
on Belas Artes, Japão
on Japão
Ontem participei de uma reunião em que foi discutida uma filosofia japonesa de organização administrativa, baseada na limpeza visual e na ordem. Essa conversa me fez lembrar do conceito metafísico do Wabi-Sabi, que me foi apresentado por Saulo. Wabi-Sabi pode ser definido como um “tipo particular de beleza” ou uma filosofia de vida, e é, antes de qualquer coisa, a construção filosófica de um ideal estético da cultura japonesa.
O conceito de Wabi-Sabi se relaciona à observação da natureza e à percepção da beleza do inacabado, do simples, do imperfeito. A filosofia do wabi-sabi é fundamentada na ideia de que o mundo está em constante mudança, e que é causa de paz a aceitação do inevitável, do fluxo constante da ordem das coisas. Muito próximo do fatalismo histórico japonês, segundo o qual os fatos e o evoluir da história é intangível à vontade e ao desejo do homem. Wabi-sabi é, para nós, hoje, um convite à contemplação, à observação da natureza, ao encontro da beleza nas coisas mais simples, mais rústicas, como aquela florzinha inesperada no meio da calçada, que cresce entre as fendas do cimento. Afinal, em meio a todo esse caos, é muito oportuna uma pausa para pensar sobre o belo e sobre o imperfeito. Uma boa sexta para vocês!
* Para saber mais sobre Wabi-Sabi, recomendo a leitura do texto Wabi-Sabi for artists, designers, poets and philosophers, de Leonard Koren (Stone Bridge Press).
* Para saber mais sobre Wabi-Sabi, recomendo a leitura do texto Wabi-Sabi for artists, designers, poets and philosophers, de Leonard Koren (Stone Bridge Press).
on Japão, Literatura Brasileira
Mais cedo falamos sobre a imigração japonesa no post sobre a fotografia de Haruo Ohara. Lembrei de imediato de um romance ótimo que li há uns meses, do neto de imigrantes japoneses Oscar Nakasato. A obra Nihonjin foi publicada pela Editora Benvirá (Selo do grupo Saraiva) e retrata a saga de Hideo Inabata, que chega ao Brasil na década de 20 com toda a família para enriquecer – sempre pensando em voltar para o Japão e para a família. Uma história comovente e enriquecedora sobre diversidade cultural e autodeterminação. Isso porque os imigrantes japoneses enfrentaram duas dificuldades contraditórias: os brasileiros que acreditavam em sua completa assimilação cultural, e os japoneses mais ortodoxos, que puniam firmemente os que se relacionassem com brasileiros ou demonstrassem interesse pela cultura do Brasil. Para entender a importância do respeito à diferença.
“Os homens de farda arrancaram as folhas dos cadernos e dos livros, fizeram um monte na rua e atearam fogo. As crianças, assustadas, observavam tudo em silêncio. Hideo, impassível, os braços firmes ao longo do corpo, era quase uma estátua.
- O que o professor ensina a vocês? – perguntou um policial a uma das crianças.
- Teijisan, você não precisa responder – orientou Hideo em língua japonesa.
- Ô japa, você não pode falar em japonês! – repreendeu o soldado. – Você não conhece a lei?
- Eu sou japonês, falo em japonês – retrucou Hideo, usando a língua portuguesa.
- É japonês, mas está no Brasil! E aqui no Brasil se fala o português.”
on Belas Artes, Japão
Sou uma grande admiradora da cultura japonesa, tanto pela delicadeza associada a suas representações artísticas, como pelo senso de disciplina e dever construídos desde a infância na personalidade individual dos japoneses. O Brasil é um país-amigo do Japão, dado o fluxo migratório que se iniciou no século XX, focado na região sul e sudeste do país. Haruo Ohara é um fotógrafo filho dessa união entre Brasil e Japão. Nascido em 1909, na província de Kochi, emigrou para o Brasil em 1927, terminando a vida no Paraná, em 1999. Sua fotografia retrata a vida no campo dos lavradores japoneses, a relação familiar, a infância em meio ao verde. Uma fotografia cheia de poesia para começar nossa terça-feira.
Na obra de Haruo Ohara, é possível perceber que os imigrantes japoneses que vieram trabalhar no campo brasileiro tinham por objetivo construir sua história no Brasil sem abandonar os laços culturais com o Japão. Muitos sonhavam com a volta ao Nipon, ao reencontro da família e da pátria.
Boa terça!
* Para quem quiser conhecer mais a fundo a obra de Haruo Ohara, este (ótimo) livro foi publicado pelo Instituto Moreira Sales.
on Japão, Literatura Brasileira
Sou uma grande amante da cultura japonesa. Acho que o Japão sintetiza com perfeição as ideias de contemplação, disciplina e leveza. Uma inspiração para a minha noção de estética. Às vezes acho que o mundo é povoado de informações em excesso e como isso cansa! O Haikai (também chamado Haiku) é típica estrutura poética do Japão. Traduzidos para o português, transformam-se em versos objetivos, organizados em três linhas, com controle rigoroso do número de sílabas. Buscam a poesia pela síntese. Na cultura japonesa, o Haiku pode vir acompanhado de uma imagem, um símbolo da ideia manifesta no texto.
Paulo Leminski escreveu inúmeros haikais. Deixo-os com alguns deles para inspirar nesta sexta.
"amar é um elo
entre o azul
e o amarelo"
entre o azul
e o amarelo"
"A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego!"
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego!"
"jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga"
todo mundo feliz
até a formiga"
on Japão
Hokusai é um expositor do período Edo, e produziu no século XIX. Só para observar e se sentir navegando.
Hoje gostaria de falar também sobre cinema, de um filme da diretora alemã Doris Dörrie, chamado Hanami, Cerejeiras em Flor. Hanami significa "observação das flores" e geralmente é uma palavra associada à floração das cerejeiras na primavera japonesa. O filme tematiza o amor, o luto, a descoberta de formas de estar perto quando o outro já não está mais aqui. Delicado como tudo que o Japão produz.
Depois falo mais sobre o meu amor pelo Japão e as japonices. Deixo vocês com um abraço forte de boa noite.
Ju Diniz





























