O Fim do Amor: Toussaint


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Passo por aqui apenas para compartilhar a minha leitura de domingo, do escritor belga Jean-Philippe Toussaint, o romance Fazer Amor. Em poucas palavras, trata-se da história de um casal à beira do abismo, um último adeus, em Tóquio. Puro lirismo. Escrevo o post ouvindo a música Medo de Amar na voz do Tom Jobim, o que torna o contexto ainda mais propício. Bom começo de semana para vocês que já perderam um amor.





"Portanto não foi por meio de palavras que eu tinha conseguido transmitir a ela aquele sentimento de beleza da vida e de adequação ao mundo que ela sentira com tanta intensidade à minha presença, nem com meus olhares, nem com minhas ações, mas sim por meio da elegância daquele gesto tão simples que dirigi lentamente a ela com tal delicadeza metafórica que fez com que ela de repente passasse a concordar com o mundo a ponto de me dizer, algumas horas mais tarde, com a mesma audácia, a mesma espontaneidade ingênua e corajosa, que a vida era bela, meu amor."
 
(TOUSSAINT, Jean-Phillipe. Fazer amor, tradução de Ana Ban. São Paulo: Globo, 2005, pg. 13)

Poesia de Casamento: Adélia Prado


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Ontem à noite aconteceu o casamento da adorável Luana e seu noivo Daniel. Sobre as mesas, poesia para deixar a noite ainda mais encantada. A Adélia Prado me fez abrir um sorriso em pleno casamento diante da beleza de suas palavras. Sempre que leio esse poema penso na absoluta cumplicidade dos amantes. Bom domingo a todos vocês e muita felicidade aos noivos, que a festa foi boa e alegre!







Casamento

Adélia Prado




Há mulheres que dizem:


Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.


Update: Este poema já tinha sido publicado no blog no dia 31/12/2011.

Família Feliz


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Uma foto estranhamente feliz do turbulento casal  de escritores Zelda e Scott Fitzgerald. Bom domingo a todos!

Palavras Lúcidas: Rilke


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Vivemos num mundo de exigências e cobranças. Somos avaliados pelos resultados, pelo sucesso, pelo que fizemos de grandioso. Percebo que, diante dessa corrida muitas vezes absurda, cada vez mais as pessoas têm procurado algum alento em vídeos e livros de caráter motivacional. O material costuma ser meio bobo, óbvio e, no meu entender, não tratam do mais importante: trazer uma reflexão sobre o sentido que atribuímos à nossa vida e ao que fazemos dela. Reconhecer o valor de uma conquista, a sua função no nosso crescimento e na construção da felicidade é o melhor meio de ter perseverança. Talvez a literatura possa nos ajudar a encontrar palavras de motivação e sair do lugar da cegueira. 




Rainer Maria Rilke, poeta alemão que escreveu as magníficas Elegias de Duíno, nascido em 1875, publicou o texto Cartas do Poeta sobre a vida (Martins Fontes, 2007). São pequenos ensaios sobre temas como o cotidiano, o tédio de trabalhar, a dor da perda, a superação. Para ajudar a clarear a mente. Recomendadíssimo!




“Há tantas pessoas que esperam de mim não sei exatamente o quê – auxílio, conselhos (de mim, que me encontro totalmente ‘perplexo’ ante as urgências mais autoritárias da vida!) – e, embora saiba que elas estão enganadas, erradas a esse respeito, eu contudo me sinto tentado (e não creio que seja por vaidade!) a compartilhar com elas algumas de minhas experiências – alguns frutos de minhas longas solidões...nesse sentido, do mesmo modo como ajudaria um cego.”

Inverno Japonês: Hiroshige


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Para inspirar o dia de vocês, a obra de Ando Hiroshige.




O inverno é aqui.


Travesseiro Japonês: O Mundo da Delicadeza


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O Livro de Travesseiro, da escritora japonesa Sei Shônagon, é uma obra-prima para os que desejam compreender os costumes do Japão tradicional. Shônagon foi dama da corte imperal e deixou suas memórias sobre as práticas da corte neste livro, quase um diário, uma percepção vívida e irônica sobre a vida cotidiana. Sei Shônagon viveu entre 966 e 1025 do calendário cristão. Deixo-os com um trechinho do livro, bom para nos fazer sonhar.



“Choveu muito no dia seguinte. Transcorreu o dia e anoiteceu sem que eu recebesse notícias dele. Concluí que havia afastado por completo seu pensamento de mim. À noite, eu estava sentada na borda da varanda, quando vi chegar um menino com um guarda-chuva aberto em uma mão e uma carta na outra. Abri a carta com ansiedade maior que a normal. A chuva que atormenta o rio, dizia a mensagem, que achei mais encantadora do que se houvessem dedicado numerosos poemas”.

 (SHÔNAGON, Sei. O Livro de Travesseiro, tradução de Andrei dos Santos Cunha, Porto Alegre, Escritos, 2008, pg. 341)

Próxima Parada: Terra do Nunca


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Vamos fugir na bicicleta do Cartier-Bresson? Henri, dá uma carona?!