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A Ilusão do Tempo


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Mês após mês, no ano de 2012, eu alimentei a fantasia de que haveria uma vida após depósito da tese. Um mundo de possibilidades se abriria: o tempo, elástico, seria bastante para cuidar do corpo, da cabeça, para dormir mais e passar mais tempo com os amigos. Eu poderia usar o tempo fora do trabalho com qualquer coisa que não fosse trabalho. Um tempo livre. Ouvir música, fazer yoga, ajustar aquela pia do banheiro que precisa de um reparo, cuidar da reforma do gesso do teto, enfim, a vida-nossa-de-cada-dia, “sem mistificações”. Um tempo para mim. Essa ilusão não resistiu aos primeiros dias depois que eu consegui, finalmente, colocar um ponto final no texto, imprimir e entregar na universidade o filho pronto – cheio de imperfeições, jogado à hostilidade da vida fora do gabinete. A sensação de urgência está aqui, minuto após minuto. Seja como ideia – uma impressão de que o tempo está passando, o relógio é implacável, a vida não pode ser perdida – seja como realidade, o trabalho em si mesmo, a ida ao banco, os imprevistos, o supermercado por fazer, as oportunidades profissionais que a vida joga no seu colo e você não pode, simplesmente, ignorar – especialmente quando se tem vinte e poucos anos.




A libertação do relógio é um processo que só pode ser vivido intimamente – não depende de um depósito, de um dia no calendário, de uma confirmação do outro. É um estado mental. O estado de quem se permite, simplesmente, desacelerar. Estou ensaiando um grande passo, um passo íntimo, mas fundamental: desabilitar a opção do celular que permite a sincronização com a conta de e-mails em tempo real. Quando eu conseguir conviver com a ideia de que os e-mails estão chegando, as pessoas estão me procurando, os problemas continuam a existir e, não obstante, aquele intervalo entre as três e as quatro da tarde é meu e somente meu – inclusive para vivê-lo em silêncio – creio que eu estarei, finalmente, liberta.

Chega logo, 2013!


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Meus amigos queridos, uma vez por ano temos uma permissão que não se pode negligenciar: podemos ser absurdamente otimistas em relação ao futuro, acreditar que todos os nossos planos se tornarão realidade e que, no ano que chega, a vida será mais colorida e feliz. Desejo que a esperança de tempos melhores sobreviva no espírito de todos, porque, hoje, sim, todos nós podemos ser alegres sem culpa. Que 2013 seja melhor, que a vida seja mais musical, que os amores mais doces e os amigos mais felizes. Um beijo da família do Ler para Contar em todos. :)





P. S. O gato feliz é do artista italiano Inos Corradin.

Feliz Natal !


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Na cultura cristã, o dia 25 de dezembro é celebrado como o nascimento simbólico da esperança de um novo tempo, um tempo de paz e de tolerância. O Ler para Contar é um blog laico, mas consciente de que não se pode libertar facilmente de uma cultura milenar, que permeia não só o nosso discurso, mas nosso olhar sobre o mundo e sobre o outro. Por isso, achamos que é possível aproveitar o espírito festivo que dezembro traz – um espírito que representa a esperança de um tempo melhor – para desejar a todos um bom renascimento. Que em 2013 sejamos capazes de nos emocionar mais com o belo e de perceber a nossa dignidade como o reflexo da dignidade presente em cada um. Sejamos mensageiros de uma cultura de paz, de respeito e de tolerância, não por força de um mandamento celeste, mas em virtude da divindade presente, como potência, em todos nós: a suprema virtude de ser capaz de escolher fazer o certo. Um abraço!