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A solidão e a arte: uma visita ao museu


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Todos nós podemos conhecer, através de livros e da internet, representações dos quadros de Van Gogh, saber quais são as formas da Vênus de Milo e desvendar os mistérios simbólicos das telas de Rembrandt. Apesar de se poder conhecer a representação, nada se compara à experiência sensorial de observar a obra de perto: a tela de Van Gogh, por exemplo, é pura luz – emana uma combinação de cores vibrantes e dançantes que parecem ter vida própria. É a glória da beleza que se manifesta em sua forma mais concreta: uma tela coberta por pinceladas de tintas. Recentemente pude observar no MASP uma obra de holandês Veermer, chamada “Mulher lendo uma carta”, que passou por um processo de restauração minucioso. O monitor mais moderno não é capaz de reproduzir aquele tom de azul da roupa da personagem, construído pelo pintor a partir de experimentações que remontam a séculos e séculos de tradição.




No vídeo abaixo, chamado A Path of Beauty, acompanhamos a experiência de visita ao museu do Louvre. Não uma simples visita: o museu está completamente vazio. Fico imaginando o que seria ter um museu dessa magnitude só para si – só quem já se acotovelou nas salas do Impressionismo no Museu D’Orsay sabe como é angustiante querer perceber cada detalhe da pintura tendo várias pessoas em volta, falando, em movimento, distraindo a sua atenção. Não nos custa sonhar com o imenso luxo de se ter a solidão para apreciar a arte. Acho que vale conferir o videozinho. Bom fim de semana!



Um instante de beleza pura: Swan Lake


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Iemanjá e seus símbolos


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No dia 2 de fevereiro acontece uma tradicional festa popular em Salvador: a Festa de Iemanjá, a Rainha do Mar. A entidade do Candomblé é representada pela figura arquetípica da sereia, uma mulher de longos cabelos que habita o reino das águas. A origem mitológica do orixá representado por Iemanjá é uma pequena nação africana, para qual representava, no dizer de João do Carmo, “o leito primordial, de onde nassceram todos os seres vivos”. No começo de fevereiro, num dos símbolos do sincretismo religioso no Brasil, cristãos e pagãos lotam as praias da baía de todos os santos para lançar suas oferendas ao mar, esperando que a mãe das águas atenda aos pedidos de seus filhos. Reconhecida como divindade maternal e protetora, senhora da fartura e da abundância, acredita-se que, ao agradar a Iemanjá, a senhora das águas se sinta mais inclinada a conceder a graça da vida e de seus prazeres aos seus filhos. Com o mesmo espírito de quem joga na Mega Sena, vamos hoje lançar mentalmente nossos barquinhos para Iemanjá, repleto com os nossos sonhos mais inconfessáveis?
 
 
A obra é do maravilhoso artista argentino Hector Carybé.

Update: por uma questão de rigor, atualizamos a informação, já que as festividades de Iemanjá ocorrem em 2 de fevereiro e não de janeiro! A tradicional festa do começo de janeiro é, na verdade, a procissão de Bom Jesus dos Navegantes. (: